
São Paulo, SP, outubro de 2026 – A substituição do diesel fóssil por combustíveis renováveis em maquinários pesados avança como uma alternativa operacional e financeira viável no agronegócio. Durante o painel “Uso de Etanol em Motores Diesel”, moderado por Paulo Castilho, Sócio da DATAGRO Alta Performance, líderes da indústria automotiva e de maquinário agrícola detalham as soluções tecnológicas que estão impulsionando a transição energética nas lavouras e operações de transbordo.
Para a Bosch Brasil, o caminho imediato passa pela adaptação inteligente da frota já existente. Paulo Rocca Vieira, Vice-Presidente da BISB para Desenvolvimento de Novos Negócios, destaca que o centro de competência de combustíveis da empresa está no Brasil, impulsionado por 20 anos de histórico com a tecnologia flex. O foco atual da companhia é a tecnologia dual fuel (diesel e etanol) por meio de sistemas de retrofit voltados para o agronegócio e a mineração.
“Uma tecnologia retrofit cabe perfeitamente na gestão de ativos de longa duração. Estamos falando de maquinários de mineração que duram mais de 20 anos e colhedoras de cana que chegam a consumir 140 mil litros de diesel por ano”, explica Vieira. O executivo detalha que a solução da Bosch consiste em adicionar um sistema de injeção de etanol e um controlador independente ao motor diesel original, sem necessidade de trocar o cabeçote, permitindo a instalação em menos de um dia. Segundo Vieira, o objetivo estratégico é nacional: eliminar ao máximo o uso de diesel importado no setor, aproveitando os cerca de 37 bilhões de litros de etanol produzidos internamente no último ano.
A John Deere, por sua vez, foca no desenvolvimento de motores dedicados e na viabilidade econômica da transição. Felipe Dias, Gerente Global de Sistema de Produção de Cana-de-Açúcar, ressalta que a empresa avalia rigorosamente a maturidade da tecnologia e a prontidão do cliente antes de escalar soluções. Atualmente, a fabricante conduz no Brasil testes com um motor de 9 litros projetado para rodar com etanol, voltado principalmente para produtores verticalizados.
“Aqui no Brasil, a gente acredita que o etanol é uma solução, mas, no final do dia, o produtor quer saber quanto custa”, pontua Dias. “A cada ciclo, trazemos um motor que consome menos. Nossa meta com essa tecnologia é reduzir de 10% a 15% o custo de combustível, entregando os três pilares que o cliente exige: confiabilidade, performance e suporte.”
O impacto dessa transição na logística de campo já apresenta números expressivos por meio da Grunner. A empresa, que detém cerca de 1.700 máquinas operando no setor (o equivalente a 17% do volume de transbordo de cana), lançou há cerca de 30 dias equipamentos com motorização a etanol e biometano. André Luiz Torquetti, Gerente Nacional de Vendas e Marketing da Grunner, enfatiza que o tempo de desenvolvimento foi necessário para garantir que a tecnologia se sustentasse financeiramente.
Torquetti apresentou projeções de alto impacto para o setor sucroenergético: para processar uma estimativa de 673,2 milhões de toneladas de cana, a logística tradicional exigiria 10 mil transbordos tratorizados e 5 mil colhedoras. Com a tecnologia da Grunner, a frota necessária para o transporte cai para 8.500 equipamentos. Segundo Torquetti, a substituição do diesel pelo etanol nessas operações reduz o custo de combustível para a safra, caindo de R$ 1,95 bilhão para R$ 898 milhões, além de evitar a emissão de mais de 920 mil toneladas de CO2.
Informações: Assessoria DATAGRO